A dualidade de ser líder… – última parte

Após estas poucas reflexões, constatamos que este quadro já é bastante familiar e talvez fique a pergunta: onde vamos parar? O que fazer diante disso? Respostas certas e definitivas, acredito que ninguém as tenha, mas podemos tecer algumas considerações. Será que é um ser abstrato que nos joga nessa fogueira diária? Será que a culpa é das empresas? Será que a culpa é da tecnologia?

Seria muito mais fácil atribuir a culpa a algo externo e ficarmos isentos da responsabilidade. Isso nos tornaria também impotentes em relação à realidade que nos cerca. No entanto, talvez essa não seja uma boa alternativa para nenhum de nós, seres atuantes e conscientes.

Cabe, então, à liderança se apropriar dessa dualidade em que vive e fazer escolhas verdadeiras, considerar os reais valores que pautam a relação entre as pessoas, restabelecendo sua própria dignidade e caráter.

Uma escolha refere-se ao negócio e à empresa onde é colocada sua energia, sua força de trabalho, suas emoções, seus pensamentos. É importante prestar atenção e observar se seus valores coincidem ou não com os valores da empresa, mas não os que estão na parede e sim os que são praticados. Nesse momento, talvez seja de fundamental importância identificar também a visão e a missão, sua e da empresa, avaliando se são coerentes. Se os profissionais fizessem escolhas mais conscientes, pelos valores e não pelo dinheiro, talvez pudessem começar a atuar no sentido de dar valor ao que tem de fato valor e com isso questionar a forma como o resultado é perseguido, as decisões tomadas, a finalidade pela qual os times são formados, os reconhecimentos efetuados e as relações estabelecidas.

Com essa reflexão não minimizo a importância dos resultados, uma vez que todas as empresas dependem deles para sua continuidade, mas, sim, enfatizo a importância de se reavaliar a forma como vem sendo perseguidos, para que se perceba, analise e atue com mais propriedade em todo processo que envolve sua execução, a complexidade das relações, o ambiente em que está inserido, bem como os impactos gerados.

Outra escolha significativa é a de viver de acordo com valores humanos como respeito, tolerância, lucidez, amor, acolhimento e paciência, valores esses que poderiam ajudar à real manutenção de vínculos com os liderados. Dessa forma, pode-se levar mais significado ao trabalho, que é sagrado, no sentido de possibilitar a realização das forças e competências individuais e coletivas e, com isso, atuar diretamente na auto estima do líder e na dos liderados, trazendo maior comprometimento por sua contribuição para a humanidade. O resultado é conseqüência de toda essa postura e do trabalho que precisa ser desenvolvido.

Assim, para que o líder consiga serenidade e lucidez, há necessidade de maior tempo livre para que a mente tenha tempo de se acalmar, olhar para dentro, reavaliar escolhas, objetivos, analisar os impactos de suas ações sobre os liderados, sobre o ambiente, sobre a sociedade em geral, possibilitando-lhe assumir seu papel de mestre, de orientador, ajudando os liderados a conhecer e reconhecer suas competências e facilitando sua expressão, para que os resultados pessoais e profissionais sejam alcançados como consequência e não como fim.

Para isso, há que se resgatar a capacidade de direcionar o tempo para o desenvolvimento de relacionamentos com qualidade, vínculos produtivos e verdadeiros que incluam o olhar para o outro na intenção de reconhecimento das diferenças como complementares, potencializando o crescimento mútuo e a parceria que se estabelece além do resultado final a ser alcançado. Assim, temos, aqui, a importância das equipes, não só para fins imediatos e unilaterais, mas principalmente como uma fonte de crescimento e desenvolvimento do ser humano, que aprende a compartilhar, a ceder, a ouvir e a ter um mesmo objetivo.

Então, o papel de Ser líder significa assumir e posicionar-se como tal, considerando pressões externas, sendo flexível para entender o ambiente, mas mantendo-se fiel aos seus valores e às suas escolhas. Enfim, deixar de ser guiado pelo automático, pelo imediatismo e por valores ilusórios, buscando o compromisso, a confiança e a lealdade a valores, que restabeleçam um sentido mais humano e mais sagrado à missão que é a própria vida.

Para isso, há de se ter coragem para posicionamentos nem sempre usuais e esperados. No entanto, fica para cada um de nós uma pequena reflexão, talvez uma provocação, no sentido de buscar o verdadeiro significado em Ser líder.

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