Felicidade e times de trabalho… Uma dupla que promete resultados!

Na quarta reflexão sobre felicidade, escolhi trazer à tona a questão: é possível ser feliz sozinho? Segundo uma conhecida música popular, “é impossível ser feliz sozinho….” . E então, o que a ciência fala sobre isso?

George Vaillant, um psicólogo citado por Schawn Achor, no livro O jeito Harvard de ser feliz, coordenou um dos estudos psicológicos mais longos de todos os tempos – o estudo dos Homens de Harvard. Foram acompanhados por 70 anos, 268 homens, desde a entrada na faculdade no final dos anos 1930, com o objetivo de identificar as circunstâncias na vida e características pessoais que distinguiram as vidas mais felizes e plenas das menos bem-sucedidas. Analisando detalhadamente os dados, Vaillant afirmou à Atlantic Monthly que seria possível resumir os resultados em uma única palavra: amor. No artigo que escreveu, conclui que há 70 anos de evidências de que os nossos relacionamentos com as pessoas importam, e importam mais do que todo o resto.

No livro Happiness, os psicólogos Ed Diener e Robert Biswas-Diener concluem a partir de inúmeras pesquisas que, “da mesma forma como a comida e o ar, parecemos precisar dos relacionamentos sociais para prosperar”.

Compartilhar, entrecruzar, trabalhar em rede é natural e, quando falo natural, reporto-me à natureza. A natureza compartilha o sol, a lua, a água, o alimento, e, o ser humano, sendo também natureza, precisa, mais do que nunca, reconhecer a importância da conexão, do vínculo, do contato. Todos já sentimos a diferença de lidar com um problema sozinho(a) ou quando podemos conversar, trocar ideias, pedir conselhos. Assim como é muito melhor compartilharmos algo que conseguimos conquistar com outras pessoas, ao invés de isoladamente sabermos de uma vitória, seja qual for. Quando temos uma comunidade de pessoas com as quais contamos, temos muito mais recursos emocionais, intelectuais e físicos para lidar com qualquer situação. Realizamos mais, temos mais condições de recuperação frente a um contratempo e desenvolvemos maior senso de propósito.

As interações sociais nos inundam momentaneamente de positividade e um relacionamento, ao longo do tempo, eleva permanentemente nosso nível de felicidade, segundo Shawn, que ainda afirma que “quanto mais apoio social você tiver, mais feliz será e, quanto mais feliz você for, mais vantagens terá em praticamente todas as áreas da vida.”

E assim, vale à pena pensarmos no tempo que efetivamente dispensamos aos nossos relacionamentos, o quanto construímos vínculos saudáveis. Nessa época tecnológica, talvez esse desafio seja até muito mais fácil do que foi em tempos atrás, em que uma ligação telefônica para outro estado poderia demorar horas e para outro país era praticamente impossível. Cartas demoravam a chegar a seu destino e poucos eram os que se atreviam e tinham condições financeiras para tomar um avião e visitar pessoas queridas.

Hoje a tecnologia nos aproxima e facilita enormemente os contatos, ou seja, pode ser uma grande aliada para que construamos e sustentemos relacionamentos que nos façam mais felizes. No entanto, para isso é preciso uma atitude potente e determinada na direção dessa construção e uma dedicação verdadeira para tolerar as diferenças, entender os pontos de vista, aceitar as fraquezas e as imperfeições alheias. E isso nem sempre é fácil, quando se esquece da importância da conexão verdadeira.

Nas empresas, tem-se a possibilidade de atingir essafelicidade de forma muito mais fácil e rápida, interagindo com o colega, participando de times de trabalho, estabelecendo conexões produtivas e não apenas por interesse passageiro. Times ajudam na resiliência de forma avassaladora, como o que vimos no Chile, na catástrofe dos mineiros soterrados que, juntos, conseguiram ser resgatados. Times alcançam sucesso e feitos de desempenho que individualmente ninguém conseguiria.

Mas o mais interessante é que para cada indivíduo, ser parte de um time gera felicidade e saúde. Os psicólogos evolucionários explicam que está programada em nosso corpo a necessidade de afiliação e formação de vínculos sociais, pois, quando formamos um vínculo social positivo, a oxitocina, um hormônio indutor de prazer, é liberada na nossa corrente sanguínea, reduzindo imediatamente a ansiedade e melhorando nossa concentração e foco.

Peço licença ao leitor, para falar de uma experiência pessoal. Eu sinto muito a importância do vínculo social, por exemplo, quando preciso preparar um texto, uma palestra, uma aula, o fato de discutir um determinado tema com alguém, ajuda no foco e na contração e, muito mais rapidamente eu concluo o que demoraria horas para fazer sozinha. Com certeza, sem vínculos sociais, eu jamais conseguiria escrever esse texto e ser o que sou.

Cada conexão social também reforça nosso sistema cardiovascular, neuroendócrino e imunológico, de forma que, quanto mais conexões formamos, melhor é o funcionamento do nosso corpo.

Então, que tal prestar mais atenção nas pessoas e construir relacionamentos? Valorizar o trabalho em time, realmente ajudar e permitir ser ajudado, compartilhar, dedicar tempo a discutir questões em conjunto, sair do mundo fragmentado, do individualismo, do egoísmo traz felicidade e melhora o desempenho, conduzindo de forma mais eficaz e duradoura ao sucesso.

Pense nisso: quantas conexões saudáveis você tem? Qual sua opinião sobre trabalhos em time? De quantos times participa? Quantos novos amigos fez nesse último ano?

Como você é visto na empresa onde trabalha? Quanto tempo dedica à construção de relacionamentos?

Se essas perguntas incomodaram, talvez seja um bom começo para você repensar na felicidade de forma diferente, ou seja, construindo-a e não esperando que seja algo dado, merecido por pessoas especiais. Conecte-se mais, viva mais, seja mais feliz e tenha mais sucesso!!! Tempos atrás isso pareceria frase de livro de auto-ajuda, mas hoje, com pesquisas da ciência e da neurociência, podemos afirmar que é algo, além de natural, conhecido por nossos ancestrais que sempre viveram em tribos, validado pelas mais modernas pesquisas de cientistas renomados. Termino, então, essa breve reflexão, desejando imensamente que você, assim como eu, construamos diariamente nossa felicidade!

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